Tarifas de Trump Alvo do Pix do Brasil enquanto Stablecoins em Dólar Dominam Pagamentos Silenciosamente

By Bartek Hagan

(26 days ago)

3 min de leitura

Compartilhar:

Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros, que entrará em vigor em 22 de julho, visando o sistema de pagamento instantâneo Pix. Stablecoins lastreadas em dólar já lidam com cerca de 90% do volume de transações cripto do Brasil, grande parte delas para pagamentos.

Tarifas de Trump Alvo do Pix do Brasil enquanto Stablecoins em Dólar Dominam Pagamentos Silenciosamente

Fatos principais

  • Os EUA estabeleceram uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros a partir de 22 de julho, visando o sistema de pagamento Pix.
  • Stablecoins em dólar lidam com cerca de 90% do volume de transações cripto do Brasil, principalmente para pagamentos.
  • A Resolução 561 proíbe a liquidação de stablecoins em pagamentos transfronteiriços a partir de 1º de outubro.

EUA impõem tarifa de 25% ao Brasil sobre o Pix

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros sob a Seção 301 da Lei de Comércio. As tarifas devem entrar em vigor em 22 de julho de 2026. A ação visa o sistema de pagamento instantâneo Pix do Brasil, que autoridades dos EUA afirmam desvantajar as empresas de pagamento americanas. O Pix exige acesso gratuito para indivíduos e limita as taxas de comerciantes, uma estrutura que Washington argumenta prejudica redes de cartões como Visa e Mastercard. As medidas abrangem cerca de 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, no valor de aproximadamente $7 bilhões por ano.

 

"A ação de hoje é necessária para abordar essas práticas comerciais desleais e garantir que trabalhadores e empresas americanas possam competir em condições justas.", 18 de julho de 2026. — Jamieson Greer, Representante de Comércio dos EUA

 

Pix domina os pagamentos domésticos do Brasil

O Pix, operado pelo banco central do Brasil, foi lançado em novembro de 2020 e liquida pagamentos a custo quase zero. Mais de 90% dos adultos brasileiros agora utilizam o sistema, e mais de 170 milhões de indivíduos realizaram um pagamento via Pix. Em junho de 2026, o Pix processou quase 7 bilhões de transações no valor de aproximadamente R$3 trilhões, cerca de $590 bilhões. Na segunda metade de 2025, registrou 42,9 bilhões de transações, contra 23,8 bilhões em cartões de crédito, débito e pré-pagos combinados.

Stablecoins em dólar lidam com a maior parte do volume cripto

Enquanto Washington visa o Pix, as stablecoins atreladas ao dólar já movimentam a maior parte do valor cripto do Brasil. Dados da autoridade fiscal brasileira mostram que as stablecoins representam cerca de 90% do volume de transações cripto do país, a maior parte utilizada para pagamentos e liquidações em vez de especulação. O Brasil processa entre $6 bilhões e $8 bilhões em cripto a cada mês. Grande parte desse fluxo ocorre em tokens em dólar em vez do real, a moeda local. As empresas preferem os tokens para reduzir os spreads cambiais e os atrasos na liquidação de transferências bancárias tradicionais.

Stablecoins negociam perto de seus peg de dólar

As duas maiores stablecoins em dólar mantinham-se próximas de seus peg no momento da publicação. Tether (USDT) era negociado a $0.9993 com uma capitalização de mercado próxima a $184 bilhões (CoinPaprika, 19 de julho de 2026). USD Coin (USDC) era negociado a $1.00 com uma capitalização de mercado de cerca de $73 bilhões (CoinPaprika, 19 de julho de 2026). O valor de mercado da Tether é mais do que o dobro do da USD Coin. Ambos os tokens são liquidadas em redes de blockchain públicas, fora das infraestruturas domésticas que o Pix controla.

Novas regras restringem a liquidação de stablecoins transfronteiriças

O Brasil está endurecendo suas próprias regras sobre stablecoins. Sob a Resolução 561, que entra em vigor em 1º de outubro, as empresas de pagamento não podem liquidar pagamentos transfronteiriços em stablecoins ou outras criptomoedas. A regra fecha um canal de back-end que havia roteado reais através de tokens em dólar, usados por empresas como Nomad e Braza Bank. Provedores de ativos virtuais licenciados ainda podem usar stablecoins sob uma estrutura separada, a Resolução 521, que entrou em vigor totalmente em fevereiro de 2026.

Analistas consideram os dois sistemas complementares

Alguns analistas veem os pagamentos instantâneos e as stablecoins como sistemas complementares em vez de rivais. O Pix lida com transferências domésticas rápidas, enquanto os tokens em dólar atendem a usos transfronteiriços e de liquidação que vão além das infraestruturas nacionais. A tarifa dos EUA e a Resolução 561 do Brasil visam ambas a infraestrutura de pagamento, mas puxam em direções opostas sobre onde os dólares podem fluir.

 

"Na prática, eles são complementares. O Pix abordou bem os pagamentos instantâneos domésticos, enquanto as stablecoins expandem o que é possível operando em redes de blockchain.", 18 de julho de 2026. — Rodrigo Caggiano, Fundador, RWA Monitor

 

Fonte primária: Fonte ↗

As criptomoedas são altamente voláteis e envolvem riscos significativos. Você pode perder parte ou a totalidade do seu investimento.

Todas as informações no Coinpaprika são fornecidas apenas para fins informativos e não constituem aconselhamento financeiro ou de investimento. Sempre realize sua própria pesquisa (DYOR) e consulte um consultor financeiro qualificado antes de tomar decisões de investimento.

O Coinpaprika não é responsável por quaisquer perdas resultantes do uso dessas informações.

Compartilhar:
Voltar para Todas as Notícias